‘A crise não pode ser pautada em interesses meramente econômicos’, afirma Rita Cortez

‘A crise não pode ser pautada em interesses meramente econômicos’, afirma Rita Cortez

Em manifestação gravada em vídeo, na tarde da última quarta-feira (25/3), ao final da votação e início da apuração dos votos na eleição para composição da Diretoria do IAB no biênio 2020/2022, a advogada da AJS e presidente nacional do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Rita Cortez, criticou a postura do governo federal frente à crise decorrente da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). “A crise não pode ser pautada em interesses meramente econômicos, mas com o objetivo de salvar vidas, sob todos os aspectos, tanto no que tange à saúde, como no que tange à sobrevivência das pessoas”, afirmou Rita Cortez.

Clique aqui para assistir ao vídeo.

Segue abaixo a transcrição na íntegra da manifestação da presidente nacional do IAB.

Meus amigos e minhas amigas, associados do Instituto dos Advogados Brasileiros, boa tarde!

Neste momento. Neste exato momento, estamos procedendo ao encerramento da votação e da apuração da eleição de 25 de março de 2020, para composição da Diretoria no biênio 2020/2022.

Esta eleição se reveste de uma especial importância, em razão da grave situação vivida no Brasil e no mundo, por conta dos efeitos do coronavírus, que não só adoece, mas ceifa a vida de inúmeras pessoas, principalmente dos nossos idosos.

A pandemia não só repercute na saúde e nos procedimentos sanitários do nosso dia a dia. Ela impacta a economia mundial, agravando a situação de pobreza de milhares de pessoas, inclusive de nós, brasileiros.

A exclusão é demográfica, é social, até porque a pobreza aguda é um obstáculo instransponível ao atendimento dessas pessoas pelo sistema público de saúde e acesso às medidas sanitárias.

A crise não pode ser pautada em interesses meramente econômicos, mas com o objetivo de salvar vidas, sob todos os aspectos, tanto no que tange à saúde, como no que tange à sobrevivência das pessoas.

O Poder Executivo não consegue responder às expectativas e parece não querer entender que, só com a injeção de muitos recursos financeiros pelo Estado, é que conseguiremos garantir renda para trabalhadores formais e informais. Isto, neste momento, é primordial.

O senhor presidente da República não é o único irresponsável quando nega a extensão do problema, indo de encontro ao prognóstico de cientistas e especialistas. A irresponsabilidade também é nossa, de não nos contrapormos a uma política econômica que, em nome do ajuste fiscal, despreza a situação de miserabilidade do povo.

O presidente da República, simplesmente, enaltece a fala de determinados empresários, quando afirmam que o Brasil não pode parar por conta de cinco ou sete mil mortos, ou que as possíveis mortes que virão não poderão atrasar a economia brasileira.

O resultado desse tipo de pensamento nós já vislumbramos nas ruas da cidade ocupadas hoje por uma legião de pessoas sem qualquer perspectiva. Precisamos que o IAB se fortaleça cada vez mais e que se junte a outras entidades da sociedade civil para oferecer alternativas, inclusive jurídicas.

O distanciamento sanitário não pode ser um óbice ao nosso convívio, ainda que a distância. O Instituto sempre esteve presente nas ocasiões mais dramáticas do Brasil e nas lutas históricas para superação.

Então, portanto, nós temos muito ainda a contribuir. Vamos tentar criar condições tecnológicas para promovermos reuniões das comissões. Até porque, material para discussão e debate nós temos de sobra.

Precisamos pensar e analisar as medidas baixadas, para que não surjam outras que ampliem conteúdos autoritários, como, por exemplo, as restrições na Lei de Acesso à Informação.

São alternativas que poderão nos manter ativos e solidários neste período, e ter a sensação de que realmente juntos vamos ganhar esta guerra.

Meus amigos e minhas amigas, com o meu fraterno abraço, estamos juntos, vamos à luta, porque isso vai passar.

Fonte: IAB

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